sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021
Pinceladas de Amor
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021
Resiliente como vara de marmeleiro
Ouvi na infância que devemos ser como vara de marmeleiro, que entorta mas não quebra.
A paz desejada
A PAZ DESEJADA
Algum
dia, em algum momento, France acordou com um sonho que dizia que seu pai
morreria. Foi forte, naquela manhã não se assustou.
Vivia
em um turbilhão no emprego novo, diferente do ambiente de camaradagem que
vivera até então.
Regras
escritas não faltavam, regras a ser aprendidas também não. Regras, as quais só
à custa de tempo, reflexão e experiência viriam a ser conhecidas.
Sentia
uma dificuldade enorme no novo emprego, em certo momento, depois de muitos
meses pensou em desistir. Era um sobrevivente e tentava sobreviver naquele
mundo novo, briguento e brigado.
Nada
do ambiente amigo que havia experimentado era presente nesse mundo novo, ela
pensava que um trabalho com base na amizade, cordialidade e diálogo produzia
mais. Estava se enganando. Os patrões
não queriam isso, trabalhavam para que a disputa entre seus empregados
produzissem riqueza para a empresa. Se alguém abusasse, fora. Se alguém se
tornasse inconveniente, fora. Se alguém se tornasse um arquivo vivo, virava
alvo. Se não destruíssem a sua alma, valia o físico. Zero de risco.
France,
depois de muito tempo se adaptou, tanto que que progrediu. No entanto, manteve
em sua alma aquela porção de ingenuidade: confiar nas pessoas.
Mas
essa confiança a traiu, quando viu que estava ferrada disse para si que era
preciso fazer alguma coisa: sobreviver.
Arrumou
as coisas e foi trabalhar em outro lugar. “Preciso olhar para frente. As coisas
lá de detrás já foram”. Isso foi se transformando em um mantra: olhar sempre
para frente.
Um
dia a chamaram. No meio da conversa uma frase parecendo solta foi dita. Ela
tocou na mente de France. Pensou em indagar, só pensou. Pensou e engoliu. Nesse
tempo a teimosia santa já fazia parte do seu kit para sobrevivência.
Se
alguém mais chegado a chamava de teimosa, ela dizia: “Não sou teimosa, sou
persistente”. Quando ouvia: “Mas como
persistente?” Ela se calava, não queria dar munição a ninguém.
Um
dia, sabe, um dia ela ouviu: “France, você tem que se reinventar”. Ela olhou
para a interlocutor e ficou pensando: “Ele não me conhece, nada sabe da minha
vida. Me reinvento há dez anos”.
Tais
reinvenções nada tinham a ver com a percepção daquele seu chefe. Tudo que tinha
feito era demonstrar que não estava obsoleta. Mas ela tinha um problema. Os
seus valores eram considerados arcaicos. A sua adesão aos valores novos era
seletiva. Travava quando achava que alguma atitude seria desonesta, mesmo
sacrificando algum ganho.
Certo
dia disseram que ela estava fora, France afundou. Ficou meses perdida nos seus
pensamentos. A sua ingenuidade a impediu de se defender. A raiva deu lugar para
a tristeza e lambeu a porta da depressão.
Depois
de muito tempo, ela disse: “Não posso ficar nessa tristeza mais três dias”.
Fez
uma escada no barranco e foi levantando degrau a degrau. Quando o buraco ficou
para trás, ela se encontrou com seu algoz. O impulso fez ela querer agredi-lo,
foi salvo por que aquele homem percebeu o perigo e saiu sorrateiramente.
“Ele
tem costas largas, eu tenho raiva”. Pensou em se vingar. Era preciso mostrar o seu
valor. Planejou tudo. Tudo.
Um
tempo depois ela se sentou no sofá da sua casa. Estava agitada, agradecendo a
Deus não ter agredido a quem achava que sido o ordenador da sua desgraça.
O
seu viver, a duras penas estava se reorganizando. Lutava com poucos recursos,
usava toda a sua inteligência e os seus conhecimentos para tocar a nova vida.
Aos
poucos o ódio foi sendo domado, aos poucos France foi percebendo a sua força. A
sede de vingança foi sendo controlada, até que um dia se encontrou com seu
desafeto. Olhou para ele, fez questão de cumprimentar, desejou dizer toda a
raiva que sentiu, apenas disse: Bom dia.
Selou
para o seu coração a paz desejada.
31/01/2021
– 15:32h
sexta-feira, 29 de janeiro de 2021
Dona Neia
sexta-feira, 22 de janeiro de 2021
No exercício da paciência
sexta-feira, 15 de janeiro de 2021
A ASSINATURA DO CABRITO BODINHO
Que bode desgramado,
Dois meses depois chegou o presente. Aquela família agora tinha seis membros, o casal, os filhos e Bodinho, que cresceu saudável e com muita alegria das crianças.
Mas, uma viagem longa se avizinhava e dentro da casa começou a se discutir como ficaria o cabrito. Já haviam até conversado com o vizinho para ele alimentar e trocar a água do animal enquanto viajavam. Bodinho, ainda criança, corria solto, dando pinotes e nada sabia do seu destino.
Era o bicho de estimação daqueles três meninos inquietos.
- Olhe, Zé, o nosso vizinho, vai cuidar do cabrito até a gente voltar, - não foi surpresa para a esposa, isso havia sido combinado.
Na hora daquela conversa Bodinho chegou na porta e viu os meninos agitados, cada um dizia que ele não poderia ficar no natal sozinho, tinha que ir com eles.
Benício manteve a decisão que o cabrito ficaria, Carla também achava melhor que o animal não viajasse.
- Olha, o nosso carro é apertado e nós vamos viajar um dia quase todo.
- Não pai, a gente se aperta, – disse o mais velho.
- É pai, a gente leva ele no colo, - disse o filho do meio.
O mais novo só gesticulava apoiando a ideia dos seus irmãos que haviam encontrado a solução para ter Bodinho na viagem. Depois de muita conversa, os pais toparam. Mas Bodinho iria ser criado na fazenda da avó, pois ficaria grande e não daria para ele viver no quintal da casa onde moravam. Na hora as crianças aceitaram a decisão, a viagem com Bodinho já seria suficiente. Poderiam conviver com ele mais um tempo, pois estavam nas férias da escola.
Na véspera da viagem arrumaram as bagagens e colocaram no carro. Uma garrafa PET de um litro foi transformada em uma mamadeira para Bodinho beber água, em uma caixa plástica estava a ração dele. O cocô e o xixi é que poderia ser o problema.
No outro dia pela manhã Benício acordou preocupado, ao voltar da garagem, onde havia organizado melhor a bagagem, ele se aproximou da esposa e disse:
- Já arrumei o carro. Sei não, vai ser uma viagem apertada. São 600 quilômetros.
- Benício, se arrume para você dirigir confortável que a gente se acomoda.
Viajaram três adultos e as três crianças pequenas, mais o cabrito. Todos eles em um Kadett.
Benício ligou o carro, olhou para o banco de trás e ficou preocupado. Carla também olhou, Bodinho estava quieto, retribuiu o olhar. Os três meninos estavam contentes, que em vez da agitação natural das crianças, elas estavam quietas. Depois dessa verificação, Benício olhou para a esposa e disse:
- Vamos. Vamos ver o que é que vai dar, - Carla não comentou, tocou na mão do esposa e apertou de leve.
Estrada estreita, com longos trechos cheios de buracos, o que tornou a viagem lenta. Já noite adentro ele chegaram em Patos, no sertão da Paraíba. Tinham deixado para trás 220 km, desde Caraúbas, no Rio Grande do Norte.
Após a indicação de um frentista de um posto de combustível, na entrada da cidade, em pouco tempo eles estravam na frente do Hotel JK. Benício desceu pagou a hospedagem de dois quartos, um triplo para ele e a família, o outro, duplo, para a babá.
Ele voltou e começou um conclave para saber como levar Bodinho para dentro do hotel sem que fosse notado. Mas Bodinho estava agitado. A tarde toda sem dar seu seus saltos o haviam deixado estressado. Comida e água para Bodinho na calçada, urinou por ali e as fezes foram recolhidas em um saco de papel, jogadas em um lixeiro próximo. Em cima do xixi, o que restava da água da garrafa PET.
Benício entrou primeiro, o atendente levou as bagagens até o quarto triplo. Benício voltou e pegou o menino mais novo no colo, os maiores caminharam ao lado na mãe e Bodinho foi coberto em uma toalha de banho, como se fosse um bebê dormindo. Assim, meio disfarçado, ele entrou no hotel e foi para o quarto duplo junto com a babá.
- Dona Carla, Dona Carla, acorda ...
Carla abriu a porta, sonolenta:
- O que foi Quitéria?
- Venha, venha ver o que o cabrito fez.
As duas saíram pelo corredor do hotel e entraram no quarto. Já primeiros passos Carla viu as fezes no animal forrando o chão. Abriu mais a porta e Bodinho olhou para elas. Parecia estar mais calmo, mas estava na verdade era cansaço por não ter dormido.
Carla empurrou a porta completamente e ao ver:
- Minha nossa senhora! Como é que ele fez isso? Você não percebeu?
- Não, dormi logo que me deitei e quando me levantei para fazer xixi estava essa bagaceira.
Carla olhou de novo para Bodinho, viu ele se chegar e roçar na perna dela.
- Vamos juntar esse cocô em um saco plástico, empurra esse negócio com os pés e vamos embora agora mesmo! - E Carla saiu ligeira para acordar o marido e os filhos.
Subiram a serra de Teixeira atentos, o sol já estava clareando bem a estrada, os meninos dormiam, Quitéria estava atenta e Bodinho relaxado, dormia no colo das crianças.
- Vi ligeiro.
- Como é que ele fez aquilo tudo? - Perguntou de novo Carla.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2021
Eu e o Banco do Brasil, 11/jan/1982
Fazia tempo que eu esperava por uma segunda-feira, onze de janeiro. 11 do 01. 11-01. Hoje é uma segunda 11 de janeiro. Ter visto Dona Duda, aos 84 anos, nestes dias desencadeou estas lembranças. Dona Duda era dona do restaurante onde fazíamos a refeição em Afogados da Ingazeira.
39 anos antes eu entrava, pela porta dos funcionários de antes do expediente, no Banco do Brasil de Afogados da Ingazeira, era um pouco antes das sete horas da manhã. Como um visitante ilustre eu era esperado, não por fama, mas por eu ser o último do concurso de 1981 ou quase, a tomar posse naquela agência.
Ao entrar um vigilante me recebeu, uma colega que não lembro o nome me indicou a mesa de Ronald Teixeira Cavalcante, gerente-adjunto, ainda de pé, ele me deu a carteirinha funcional e vaticinou: Decore este número, ele nunca mais vai sair de sua vida. Não saiu.
Naquele mesmo dia eu recebia o primeiro talão do Cheque-Ouro, o mais potente Iphone dos produtos bancários daquela época, capaz das maiores distinções sociais. Dever o limite foi um visgo que levei cinco anos para me livrar.
Naquele dia começou uma história, a da minha vida, que me permitiu ter um rumo, em muitos momentos uma causa para viver, um sentido para a vida, agregando valores que ainda hoje me movem, como ética, respeito pelo próximo, tratar o cliente com atenção e consideração (sob qualquer circunstância). A realidade mudou, o discurso de engrandecimento melhorou e a prática destes bons valores pioraram.
Os melhores anos, pós 1996, foi quando como gerente eu me sentia especial, inventava coisas sadias para dar bons e sustentáveis resultados. Salvar o BB da falência ou da privatização era um sentindo de vida importante. Ter resultado virou o maior mantra, independente das práticas. Minha doce ilusão foi mudando. De 2002 em diante, era preciso se adaptar ao novo modelo, era preciso se reinventar, eu de tantas reinvenções me sentia agoniado, sem saber como me provocar constantemente tantas invenções. Mas eu não enxergava, as reinvenções estava no patamar do espirito, eu não sabia como agir, quebrando ou abandonando os meus valores (honestidade de princípio, atitudes éticas, vendas reais e por aí foi). Não quebrei e me quebrei.
Dia desses eu estava me lembrando da Ação do Fome Zero, aquilo correu o Brasil de cima a baixo. Lembro que em 1998 nos fizemos em Terra Boa (PR), quando as crianças começaram a chegar em um evento dos dias das crianças eu cunhei um termo que nunca esqueci: Fome escondida. Ali a fome era escondida, não escancarada como ocorria no Nordeste daquela época.
Teve um momento que minha esposa idealizou um São João, ela reuniu as crianças dos colegas, conseguiu carroças de burro, um lojista que tocava sanfona e forró se dispôs e correram a avenida Brasil em Terra Boa levando a bandeira do BB. Este e vários outros episódios foram feitos para tornar a imagem do BB simpáticas nas cidades. Nessa época a imagem do BB era um torrão de madeira, queimadinha, bem queimadinha e eu era um dos artífices do novo Banco do Brasil. Eu me sentia especial.
Deixando as mágoas de lado, há toda uma história rica dentro da empresa, das pessoas que conheci, dos amigos que conquistei, do respeito dos clientes que obtive, das histórias divertidas que ouvi e que presenciei, das lições que aprendi. Dos risos que dei e alguns que provoquei. Do assalto que virou crônica e depois virou brincadeira.
Por ser essa segunda especial, uma marca na minha vida.
Bom dia minha gente!!
Abração, Marconi
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